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17 setembro 2015

Entrevista Danielle Barros, a IV sacerdotisa. Parte 4 de 4.

5. O que te inspira a criar? 

O que me inspira a criar é o que me inspira a viver. É a vida, a morte, o Cosmos, e todos os renascimentos que vivencio diariamente.

Inspiração (foto tirada no Museu de Ciência e Tecnologia PUC-RS)
6. Uma característica marcante nas suas HQs? 

Minhas criações tem como personagem principal a índia Sibilante, as histórias vivenciadas por ela narram sua busca contra a face obscura do ego e pela transcendência. A problemática que enfatizo em minhas criações diz respeito ao momento em que vivemos hoje, um mundo regido pela fragmentação dos processos, das pessoas e relacionamentos e com isso, como consequência, temos a degradação dos seres, a desconexão com a natureza e da essência do eu interior.

desenhos da IV Sacerdotisa 

Desenhos da IV Sacerdotisa 
Essa desconexão tem gerado sofrimento, guerras e egocentrismo, pois a manifestação da falta de auto amor é a destruição de si e de outros seres. A meu ver é preciso questionar e reverter os valores vigentes na sociedade, entretanto isso só é possível a partir de uma auto revolução. Nesta perspectiva, eu uso a arte como forma de (auto) revolução e como forma para sensibilizar as pessoas sobre essas questões, na perspectiva da arte como cura e fonte de sentido à vida.

Desenhos da IV Sacerdotisa 

Desenho da IV Sacerdotisa
Em suma, a característica marcante em minhas obras é enfatizar a busca de Sibilante no Caminho do autoconhecimento a partir do confronto entre o eu imaginado (o ego forjado pela cultura), e o eu essencial (a descoberta do ser cósmico), e todas as dores e êxtases desse processo. E para tanto, utilizo os quadrinhos e fanzines como forma de expressão artística e experimentalismo do gênero Poético Filosófico para retratar essa jornada cósmica.

7. Você considera que tem um estilo próprio?

Parafraseando o mestre Edgar Franco, não busco ter um “estilo” próprio, pois existem artistas que quando conseguem sucesso em determinada “técnica”, traço, ou forma de expressão, permanece criando da mesma forma e acaba estagnado, deixando de experimentar novas formas de expressão. Procuro aprender a cada dia e meu traço tem mudado muito em um curto espaço de tempo. Tenho vontade de pintar aquarela, usar corel draw, photoshop, aprender esculpir em madeira, e tantas outras coisas que ainda não sei, e estou sempre buscando ampliar meus conhecimentos e formas de expressão! Desta forma imagino que não tenha um “estilo”, e confesso que este não é meu objetivo.

Pintura da IV Sacerdotisa em tinta guache

Pinturas da IV Sacerdotisa em tinta guache 
Quem cria livremente não cria nenhuma limitação técnica ou de nenhuma outra ordem, cria onde e como for! Quem pode dizer se eu tenho um “estilo próprio” talvez seja o público... Devolvo a pergunta às leitoras e leitores de minhas criações!

 IV Sacerdotisa Danielle Barros e Beralto, o Alberto Sousa durante o II Entre ASPAS, 2015.
Gostaria de agradecer a toda equipe do projeto IFANZINE, as bolsistas Kezia Campos, Nathália Campanaro, Sara Gaspar, o bolsista Raphael Viana, e ao coordenador deste lindo e prolífico projeto, o grande Beralto, também conhecido como Alberto de Souza! Tenho que dizer que é sempre uma honra participar deste projeto, contem sempre comigo. Gostaria de ressaltar que tenho uma fanzinoteca itinerante que levo sempre em minhas oficinas de quadrinhos e fanzines e divulgo a arte autoral das pessoas que me enviam suas criações, quem quiser me enviar, retribuo com meus zines (meu endereço postal consta ao final da entrevista!).
Por fim, parabenizo pelo lindo e sério trabalho que vocês estão desenvolvendo! Gratidão, IV Sacerdotisa.


Para adquirir os zines da autora:
Danielle Barros – IV Sacerdotisa
Caixa Postal 88
A/C Teixeira de Freitas – BA - Brasil
45985-970
danbiologa@gmail.com
Facebook: Sibilante


15 setembro 2015

Entrevista: Danielle Barros, IV Sacerdotisa. Parte 2 de 4

3. Qual a sua relação com o fanzine? Como você descobriu?

Minha relação com os fanzines veio junto com esta retomada ao desenho. Eu nem conhecia o que era fanzine, até que o Ciberpajé Edgar Franco me provocou a criar um com a produção dos desenhos que vinha desenvolvendo. Como eu estava iniciando a organização do livro “Aforismos do Ciberpajé”, e na época estávamos elaborando um conceito novo de quadrinhos chamado HQforismos, tive a ideia de selecionar alguns aforismos de Franco e desenhar minhas interpretações visuais deles, para compor HQforismos. Então em 2013 lancei meu primeiro fanzine “Abismos do Lobo” no Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), com tiragem limitada de 50 exemplares numerados, é também considerado o primeiro fanzine de HQforismos. – Saiba mais sobre este fanzine aqui:
http://ciberpaje.blogspot.com.br/2014/06/fanzine-abismos-do-lobo-que-homenageia.html

abismo do lobo.

Lançamento de abismo do Lobo I durante o  FIQ, 2013. 
Em 2014 surgiu o fanzine “Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico”, 28 páginas com HQs e HQforismos feitos por mim e tiragem até o momento de 600 cópias.
Saiba mais sobre este fanzine aqui:
http://ciberpaje.blogspot.com.br/2014/06/lancamento-do-fanzine-sibilante.html A repercussão deste zine gerou um outro, com 16 páginas, a “Coletânea de resenhas sobre Sibilante” com comentários dos leitores/as, textos e reportagens sobre Sibilante. Em 2015 lancei BiocienSaúde, fruto da I Oficina de HQ e fanzine de Biociências e Saúde com alunos de Graduação em Ciências Biológicas da UNEB, 32 páginas, a ilustração de capa feita por mim e miolo com HQ criadas pelos alunos com temas diversos ligados a Biociências e Saúde.

Imagem 11 – Fanzine Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico e Coletânea de resenhas sobre Sibilante
Imagem 12 – Fanzine BiocienSaúde
Aliando minha paixão por quadrinhos e fanzines à minha vida acadêmica,- conexão esta que comecei a desenvolver durante a monografia de especialização em Ensino de Biociências e Saúde em 2012, onde elaborei, junto com os alunos uma HQ estilo mangá sobre Tuberculose e um folder sobre criação de quadrinhos-, agora dou continuidade em minha tese de doutorado, ao incluir as oficinas criativas como parte de minha pesquisa.
Imagem 13 – HQ Educativa sobre Tuberculose e folder sobre como criar HQs
Desde esse primeiro trabalho com HQ educativa, comecei a pensar formas de utilizar essa arte no ensino de ciências. Entretanto, apesar de perceber o potencial criativo e educacional das oficinas de quadrinhos e fanzines, assim como Paulo Freire problematiza sobre a “práxis”, questionei-me: “Como poderia propor a criação de HQ e fanzines se eu mesma não soubesse,- não apenas na teoria,- mas também na prática, a fazê-los?”. Me propus a tentar e desde então tenho seguido criando.
Também no primeiro semestre de 2015 lancei o minizine HQcrônicas I, 8 páginas, formato A6, o zine traz questões do cotidiano discutidas por mais de um viés de olhar, com reflexões críticas e filosóficas sobre a vida. A temática abordada neste primeiro número foi “traição”.
Sagrado Femizine, formato A5, 16 páginas com reflexões poéticas através de textos e imagens sobre a luminosidade e nigredo feminino e sua conexão com Gaia. Inclusive estes dois fanzines, o HQcrônicas e Sagrado Femizine tiveram belas resenhas postadas no blog do projeto IFFANZINE!

Imagem 14 – Fanzine HQcrônicas, BiocienSaúde, Sagrado Femizine e Uivo 3 (foto enviada por José Loures)

Imagem 15 – Fanzines Equilíbrio Dinâmico I e II

Em parceria com Edgar Franco lançamos 2 edições de Equilíbrio Dinâmico, formato A6, 8 páginas com HQforismos sobre o princípio da Polaridade inspirado no Caibalion.
Mais recentemente lancei Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico II (com tiragem limitada de 93 exemplares numerados, capa confeccionada artesanalmente costuradas à mão, formato A6, 28 páginas) e Conexões Sibilantes (zine com participação de diversos artistas, formato A6, 16 páginas, p&b, costurado à mão).
Saiba mais sobre este fanzine aqui:
http://ciberpaje.blogspot.com.br/2015/05/sibilante-grimoirezine-poetico.html

Imagem 16 – Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico II
Vale destacar que no VIII Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (FAV/UFG), um ano depois do lançamento da 1ª edição, levei Sibilante II para promover durante o evento, onde participei, desta vez, apresentando trabalho sobre o processo criativo de uma das HQs publicadas em Sibilante I. O título da comunicação oral foi “Irmãs de Jornada: Sibilante e a busca do Sagrado Feminino”, onde situei conceitualmente sobre os quadrinhos autorais, os fanzines, o gênero poético filosófico onde minhas criações se encaixam, falei brevemente sobre o conceito criado por mim e Edgar Franco, os HQforismos (a união de aforismos e a linguagem quadrinhistica) e finalmente tratei das inspirações criativas e o método da construção da narrativa “Irmãs de Jornada” que contou com o roteiro de Franco e ilustrações minhas.


Imagens 17 e 18 – Foto durante comunicação oral no VIII Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual sobre Sibilante. Fotos de José Loures
Outro ponto pertinente a destacar, foi que partir das temáticas abordadas em Sibilante, entre elas, a do Sagrado Feminino, apresentei-me no I evento destinado às mulheres nos quadrinhos, o I Lady´s Comics, em Belo Horizonte. Saiba mais sobre este evento aqui: http://ciberpaje.blogspot.com.br/2014/10/iv-sacerdotisa-da-aurora-pos-humana.html

Sibilante e meus fanzines circulam em eventos acadêmicos e não acadêmicos em minhas viagens, e também chegaram por correio a todas as regiões do país - e a outros 11 países - para pessoas que adquiriram, e também envios voluntários a fanzinotecas, artistas e educadores/as.
Voltando a falar dos fanzines criados neste ano, tem o MiniPortfoliozine da IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana com 32 páginas, formato A8 com seleção de ilustrações minhas, algumas ainda inéditas, outras publicadas em zines, HQs, capa de livro, etc. criadas entre 2014 e 2015. O próximo lançamento será a segunda edição de Abismos do Lobo, com aforismos de Edgar Franco ilustrados por mim, mantendo a proposta dos HQforismos. Tem outras novidades, mas por enquanto ficam como surpresa!

Imagem 19 - MiniPortfoliozine da IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana

Imagem 20 – Fanzines Da Aurora Pós-Humana (Foto enviada por Alexandre Carlos)
(o que posso adiantar é que os próximos lançamentos serão anunciados nas 2as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos em agosto, e no FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos em novembro deste ano).

Essa é a segunda parte da entrevista da Danielle, ainda há mais partes por vir... aguardem... 






14 setembro 2015

Entrevista: Danielle Barros- IV Sacerdotisa. Parte 1 de 4.

Hoje, com muita felicidade, venho compartilhar com vocês uma entrevista com uma pessoa muito especial para o nosso projeto e também para o mundo fanzineiro: Danielle Barros, a IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana, que irá nos contar hoje, um pouco da sua trajetória no mundo dos zines, com várias fotos de suas publicações e memórias.
Vamos conhecer mais um pouco da fanzineira Danielle Barros.


Como você começou a desenhar? Foi desde a infância, foi a partir de influência de amigos? 

Desde criança! Sempre gostei de desenhar, esculpir, pintar, encenar, simular programas de rádio (gravava fitas), entrevistas, e, sobretudo sempre gostei de ler. Além de ser incentivada por minha mãe na parte dos desenhos, meu pai era dono de uma banca de jornal e revistas em Salvador - BA, e sempre convivi com este universo de revistas, jornais, periódicos, história em quadrinhos. Posso dizer que minha pré alfabetização foi a partir da leitura de gibis. Eu tinha uma pasta onde guardava meus desenhos, e ainda pequena fiz minhas próprias revistas (meus primeiros fanzines, sem saber).


Imagem 1 - Eu com 6 anos em Salvador com minha prima Michele, exibindo meu desenho

Nas imagens acima: "- Uma das minhas primeiras revistas artesanais e cesto de cartas que trocava com primas e amigas (zineira desde pequena sem saber!)

Por algum motivo parei de desenhar e fiquei anos sem fazê-lo. Em 2012 conheci o Ciberpajé Edgar Franco, artista renomado e professor da Universidade Federal de Goiás, a quem devo a retomada de meus desenhos, por seu incentivo. No final de 2013 comecei a fazer alguns rascunhos, e em 2014 surgiu minha primeira criação de personagem, a índia Sibilante.

Desenho de 2013




                                                    Primeiras imagens do Sibilante de 2014.

Desde então tenho seguido criando, já ilustrei mais de onze fanzines, tenho minha arte estampada em ecobags e ímãs feitos como itens promocionais do fanzine Sibilante II, e até ilustração de capa do primeiro livro editorado pela ASPAS (Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial), com a parceria do Ciberpajé Edgar Franco que coloriu a ilustração!

2. Tem pessoas na sua vida real que você costuma representar nos seus quadrinhos?

De certa forma sim, mas não diretamente. Em relação aos desenhos, por exemplo, costumo utilizar fotografias como referência, tanto no aspecto da anatomia quanto para elaborar os cenários, mas procuro transformá-los, ou seja, não reproduzo literalmente uma imagem utilizada como referência no desenho. Então por mais que haja influência externa, tudo que eu crio tem características únicas que são criadas durante o ato criativo. Em relação aos personagens também, tanto nos roteiros quanto nos traços das personas, trago a influência do que vivencio em minhas experiências de vida, em histórias, e personalidades que convivo e observo na sociedade.

Pessoal, a entrevista com a Danielle é bem recheada de imagens e relatos, por isso nós iremos dividí-la em partes... aguarde...